blog do felipe


há quase vinte vinte anos,

 

eu era criança e não existia divisor.

 

a quase vinte anos,

 

meu pai era jovem e não caía de escadas,

 

enquanto polícia, era o preconceito que o chamava de ladrão,

 

quando velho, já com vários divisores,

 

era a família quem fazia as vezes do preconceito.

 

já não sou mais criança,

 

mas tenho que subir nas próprias escadas.

 

tenho que construir, fazer amor e sangue.

 

já não sou mais puro

 

não conservo sangue santo nas minhas veias

 

aliás, não há nada Dos Santos nas minhas veias.

 

meu pulso bate firme,

 

como batia o do meu pai quando dividia a mesmo chão de terra que meu avô.

 

quando não desencontrava no natal com minha avó...

 

hoje, tudo mudou,

 

velhas feridas ainda não fecharam

 

pelo contrário, ainda sangram !

 

não como água, barrenta ou clara,

 

mas como sangue.

 

e, talvez, tais feridas sejam a única herança,

 

mas essa nenhum criminalista vai inventariar.



Escrito por felipe capucho às 16h00
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a faca o tempo corta

o coração é só carne

corta carne 

faca coração 




Escrito por felipe capucho às 14h49
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ontem eu pude voar
bati forte as asas,
tomei o fôlego que antecede a explosão
pensei, pensei, pensei...
e decidi não voar

calmamente fui aquietando as asas,
soltei levemente o ar, expirando.
daí cantei:
cantei como um trinca ferro,
vorazmente.

voltei para o meu ninho,
feito com o carinho do bico da mamãe
repousei. retomei os pensamentos, redobrei-os.

continuei.



Escrito por felipe capucho às 10h51
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os dias frios aquecem meus sentimentos gelados
me mostram as infinidades de tons de verdes,
acendem velhos lapsos rasgados e escritos
como se tessitura formada no vale de um rio ecoasse nos meus ouvidos...

acontecências em versos e prosa
avassaladoramente em lapsos causais

valeu, jura!
amigo, mestre paterno!



Escrito por felipe capucho às 11h33
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Essa é minha sobrinha, filha do Fábio e da Rúbia, mas aqui ela parece mesmo com meu outro irmão, Neto.

tá com 4 meses

é uma belezinha, sorridente...

Ana Luiza

Luz.



Escrito por felipe capucho às 12h23
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Escrito por felipe capucho às 12h20
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o chão
limite expremo da alucinação
âncora de arrebentos e rebentos
sempre tormentos
alguns
      com a cara lhe batem
outros...
se equilibram
em pé.

afinal, pode ser macio como um tapete de grama ou duro como concreto armado
mas a cabo não passa de terra.

 



Escrito por felipe capucho às 11h47
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Eu quero uma casa no campo,
onde eu possa olhar o tempo passar e se repetir...
onde eu possa viver a rotina da natureza.

eu quero uma casa no campo
onde o canal encha no final da tarde
e eu saiba que é a hora de pescar.

ouvir a cor dos pássaros
e beber água pura.



Escrito por felipe capucho às 11h51
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           Saudade

Saudade é querer ficar perto.
por dois meses, dois dias, dois séculos
saudade é saudar
clarear.

saudade é você vindo de navio
chegando lentamente
sorrindo

saudade é você do meu lado
já me dando saudade antecipada
da hora em que o navio vai te levar...

saudade é uma faceta do amor.



Escrito por felipe capucho às 12h23
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quantos mundos existem no meu mundo?
lógicas a serem apreendidas e repetidas
quantos mundos existem
no meu mundo...

aparências e aquiescências sem ciência
não há lutas a brigar
nem discursos a defender

e mesmo não havendo nada a que se rezar
há pregadores do mundo
mas nem se sabe qual mundo...

quantos mundos existem no mundo?



Escrito por felipe capucho às 19h44
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Sou o oposto do senso comum
ao mesmo tempo sou o óbvio.

sou o eterno apaixonado pelas coisas do mundo
ao mesmo tempo limbo.

sou uma Embaúva na floresta
brilhando prateada com o vento.

sou brisa, que carrega folhas
sou vento levando sementes.

sou o eterno tronco enraizado.



Escrito por felipe capucho às 17h32
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o que me precupa? o que me move?
será que são as pernas e a cabeça?
ou minhas sementes que não germinam?
as metas que viram sonhos ou os sonhos que viram metas?
o sucesso com felicidade ou felicidade sem sucesso?

o que me preocupa? o que me move?
será a dor do meu amigo?
a felicidade do meu irmão?
a orquídea ganhada que floriu?
ou meu peso que sumiu?

o que me preocupa? o que me move?
os livros que leio?
as lembranças?
os amores?

o que me preocupa? o que me move?
será que são as pernas e a cabeça?



Escrito por felipe capucho às 14h59
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      Poemas são inquietações

Sintetizam noites mal dormidas

O desgosto do paladar...

 

Poemas são atordoantes

Crus

Sem sal...

 

Poemas são faróis desregulados

Asas quebradas

Flores partidas

 

poemas são palavras pretensiosamente combinadas

choradas em volta de sangue...

 

são loucuras comedidas.



Escrito por felipe capucho às 16h18
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MANUEL BANDEIRA,  grande Manuel Bandeira!

                      POÉTICA

 

"Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. "



Escrito por felipe capucho às 15h10
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               Espera

Esperas são como gotas de sangue
espera: agitação, movimentação paralizada.
esperas deveras

Espero para ter o que falar, para ter atitudes que não podem mais esperar...
espero para começar, espero para terminar...

Esperando a vida já vai...
a vida já
vida:

não espera
não desata nem ata
corre com pressa desesperada...



Escrito por felipe capucho às 13h25
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